Assim aconteceu comigo... De
súbito, que sorte, ele chegou e me deixou sem norte, seria a morte? Não, é apenas
a volúpia do sexo...
Pensei não merecer mais tudo
aquilo, lutei, relutei, mas abandonei os dogmas, convenções, conceitos e fui
apenas e tão somente mulher. Era tudo o que ele esperava de mim...
Meu sangue pulsava forte, respiração
e coração acelerados, meu peito arfava, ah! nossos suspiros... Meu ser vivia
lascivamente, naquele momento, toda plenitude e nem me lembrei que era apenas
instinto. Do que me importa agora controlar a libido?
Hoje as lembranças corrosivas me
cobram, me dói, corrói e pede mais, sempre mais... Quero, preciso muito, minha
mente, meu corpo e todos os meus sentidos exigem...
Quem dera aquele ato, para ser
completo, pudesse traduzir um misto de prazer carnal e do sentimento maior. Foi
o que foi e nos bastou que transbordou...
Passei horas, dias, meses, anos
pensativa, remoendo na mente cada momento e hoje já não só penso mais, quero
revivê-lo intensamente. E já é passada a hora...
A necessidade é maiúscula, a
vontade é fêmea, o instante é ímpar, vicia e todos os dias sonho e desejo me
deixar vencer pelas vertigens causadas por um momento igual. A vida imperiosamente
urge...
Assim, mulher que sou, não quero
que seja maior do que sentimos antes, apenas igual é suficiente para me levar às
nuvens, ouvir cantos febris, sons inefáveis, palavras ininteligíveis de frases
indecifráveis e desnecessárias, levitar e viver contigo minha paixão em outro
plano. Perfeita simetria...

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